domingo, 24 de maio de 2015

Inversão de vozes e o "lead" em Quartetos Masculinos


Eu e meus irmãos Angelo​ e Fábio,​ crescemos ouvindo muita música, especialmente de quarteto. Numa época da adolescencia em que dormiamos no mesmo quarto, a gente ia dormir com o som ligado. E iamos ouvindo e fazendo a resenha, até o sono chegar. Qdo acordava era a mesma coisa. Ligava-se o som imediatamente
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Kings Heralds, Arautos de todas as epocas, Take 6, GVB, Cathedrals, Heritage Quartet, The Bread of Life, e tb gravações tiradas direto da mesa de som do Grupo Hoje.
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E foi nessas resenhas, observando o que ouviamos, é que aprendemos vários conceitos musicais, observamos várias técnicas e estilos de se fazer arranjo pra quarteto. Uma delas é a Inversão das vozes, pra se tirar timbragens diferentes
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Vou tentar explicar aqui um "Tratado de Inversão" hehehehe Espero que gostem
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Requisitos :
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Pelo menos as 3 vozes de cima precisam ter peso na voz e nos falsetes, saber cantar pesado, saber cantar leve, saber cantar cheio de vibrato, saber cantar sem vibrato algum, saber tirar o peso da voz em notas dissonantes, saber esconder as notas dissonantes pra elas serem apenas tempero, saber carregar a melodia nas costas seja ela suave, seja ela potente. Pra fazer esses entrelaçamentos, todos esses recursos precisam estar disponiveis em cada cantor, visando alterar o timbre sem perder a pressão sonora. Ou seja : Versatilidade FULL !
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Exemplos :
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O GVB fez muito isso em várias canções dos CDs "Southern Classics 1", no "Peace of the Rock, no "I feel good man".
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Depois, acabaram abandonando essa pratica em nome de jogar tudo pra cima do David Phelps, deixando muito repetitivo.
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Qdo Phelps saiu e entrou Wes Hampton, a variação de timbres voltou á cena no GVB ( Oh Glória ! Pq aquele esquema "David Phelps e Vocal era um tédio, mesmo sendo impactante e levantando a torcida ) .
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Os Kings Heralds usavam menos esse expediente, pq preferiam que a melodia trocasse de cantor ( ás vezes, cortando o barato. Mas isso é pq davam muito respeito á "tessitura oficial de cada voz". O Wayne Hopper preferia essa linha, que tb é muito legal e outra hora falo sobre ela.
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Qdo Jim Teel se tornou o arranjador dos KH, isso começou a mudar, e passou a ter mais espaço pras inversões. Mas qdo usavam, o timbre não variava tanto por conta da empostação lírica padronizada, e pq o Jerry Patton e o Don Scroggs tinham péssimo grave, deixando muito sem peso qdo invertia com Jack Veazey e por isso o timbre não variava tanto. Mas canções como "Old Than Tucker", "God's Love", "Day by day", God holds the Future", serviram de aula pra mim e pro Angelo.
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Nos Arautos Brasileiro isso só aparece em 1 ou outra música esporadicamente.
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Em 1969 por exemplo usaram em "Se tens amor".
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Já tinha rolado isso antes em 1966 na música "Santa Bíblia, livro de luz", mas foi muito mais uma gambiarra entre baritono e baixo (Nilo Ramos e Walter Boger), do que algo premeditadamente calculado.
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Os Arautos sempre preferiram a técnica de "trocar a melodia de cantor" que tb é sensacional. Mas falo sobre isso outro dia.
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Mas ainda assim, os Arautos tb tem suas incursões no esquema de Inversões. Em 1987, lançaram "Aleluia, lar enfim!", "Por tudo o que tu és", e ainda assim, a inversão não faz variar tanto o timbre, pq os cantores mandavam o bambu nas notas, sem se importar tanto em variar a timbragem.
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Exemplos de canções do Arautos que se fossem gravadas dentro da nossa "tese", teriam sido gravadas diferente ?
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Amor no Calvário : O Josué de Castro sola. No refrão a melodia passa pro Dermival. Tá gravado assim // Pelo nosso esquema, o Pr Josué ficaria direto, carregando a melodia no refrão. Objetivo : Como o refrão é no limite da "zona de conforto" do Pr Josué, a música ganharia ainda mais em pegada, e o Pr Dermival, "descansa enqto carrega pedra"
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ATENÇÃO !!!! EU NÃO ESTOU PONDO DEFEITO NA MANEIRA QUE O ARAUTOS PREFERIA !!! ( estou apenas mostrando a diferença )
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A técnica que os Arautos preferia tb tem seus porques, e tb exige grande preparo tecnico do arranjador e perícia dos cantores
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Deu pra sacar a diferença ? O objetivo aqui é informar, e não fazer guerra.
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Esse esquema de "troca de cantor na melodia" tb é usado pelo Athus, GVB, Vox e outros
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Se o quarteto tiver categoria pra usar as 2 técnicas, MELHOR AINDA
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O esquema das inversões é só com os 3 de cima ? E o baixo ????????
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Opa. O Baixo tb pode participar. E deve. Como ? Saindo da função harmonica de "Baixo". Ele vai lá pra cima fazer função "baritono", e empurra o barítono pra um "sub 2º tenor". Se faz isso pra montar acordes de 6ª, ou de 7ª e 9ª, ou outras variantes. Nesse caso, a função harmonica do Baixo passa a ser feita pelo "Contrabaixo" ( ou pela mão esquerda do piano ). E cria-se a ilusão de ter 5 vozes. Conforme a perícia do arranjador e a perícia dos cantores, pode se criar trechos até dando ilusão de ter 6 vozes
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Depois de observar e ter sempre altas resenhas por anos e anos desde a adolescencia, acabamos indo mais pela linha GVB. E tb , ao nosso modo, pegamos o conceito de "lead" do Southern. Quem pega a melodia carrega ela até o fim. Usamos primeiro no Trio Meireles em "Sou eternamente Teu", "Cristo está voltando" , Só o amor produz", "Eu acredito" canções de estilo tradicional, mas usamos tb com canções de estilo Funky como "O Senhor é quem me guardará", "Por te amar". A música "Vaso Novo" já é um outro tipo de experimento musical. Mas que comprovadamente tb funciona
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Porém,  por termos a voz parecida, e tb não termos pegado pesado, e insistido na busca por "timbrar diferente", não funcionava tão bem a intenção de variar o timbre como funciona no Athus. No Athus, por serem vozes diferentes a coisa funciona bem melhor.
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O Athus ao longo de sua discografia, usou e abusou desse recurso, desse estilo de arranjo, mas isso foi mais do ano 2000 em diante, qdo nossa "Teoria" de inversão e de uso mais variado do "lead" estava formatada e testada : Ele tem sido fiel, A mesa está preparada, Deus o pode, Sinto a cada dia, Água da vida, Elias, Ser amigo, Quero um novo lar, Desperta um novo dia, Coraçao quebrantado, Cachorro Vira-Lata, Jesus em sua vida, Essa noite não vou chorar, Primeiro eu quero ver meu Salvador,
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Mas fica o aviso : Não é tão simples qto parece.
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Exige muita tecnica do arranjador, exige treino, exige tecnica e ouvido apurado do cantor e imenso bom senso dos que "trocam de posição". Não é simplesmente trocar e pronto. tem de timbrar.
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Eu o Angelo levamos vários anos pra compreender, aprender a fazer com eficiencia e testar. O Angelo obviamente, teve muito mais oportunidade de empregar essa tecnica de arranjo do que eu, já que ele dirige o Athus há 22 anos, enquanto eu não trabalho o tempo todo arranjando pra quarteto, e qdo faço rsrsrsrsrs as encomendas não vão muito nessa direção
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Bom, eis ai uma explicação mais técnica. É nas discussões TÉCNICAS que o conhecimento aparece e cresce.

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